quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Um brinde antes que Veneza feche

O Dry Martini do Harry´s Bar de Veneza

Mais uma diretamente da Itália: o prefeito de Veneza, uma das cidades mais lindas daquele país, quer restringir a entrada de turistas de um só dia. Quem explica é a jornalista inglesa Tanya Gold, do jornal britânico The Guardian, em artigo publicado no sabado (dia 9) no Estadão. Não que a notícia seja surpreendente. Quem acompanha as trapalhadas de Berlusconi e a crescente xenofobia na terra de Dante, não se surpreende com mais nada. A idéia do prefeito Massimo Cacciari é cobrar uma taxa ou então submeter os visitantes a um exame antes da admissão. Imagino que o tal exame seja a verificação dos cartões de crédito ou a quantidade de dinheiro que os turistas têm na carteira. Veneza é cara, muito cara. E a Tanya explica bem em seu artigo o que os comerciantes fazem para capitalizar em cima das hordas de japoneses, chineses, americanos, alemães, brasileiros e outros incautos que entopem os becos estreitos e vielas apertadas diariamente. Não é brincadeira: no verão é alucinante tentar atravessar a cidade. Filas e mais filas se formam diante dos pontos turísticos. E o mau cheiro dos canais que cortam a cidade em todos os sentidos e direções é simplesmente nauseabundo. E no inverno chove, tem enchentes, a Piazza S. Marco fica coberta de água. Quer mais? Se em qualquer lugar da Itália paga-se cerca de 2 euros por uma hora de internet, lá os donos dos raros Cyber Cafés tem a coragem de cobrar 10 euros! E que tal morrer com mais de 100 euros para dar uma volta de gôndola? Ainda mais quando você percebe que os gondoleiros são albaneses e só decoraram duas ou três canções napoletanas. Napoletanas? Sim, mas como os turistas também não distinguem um dialeto do outro, tudo bem...
Mas a verdade, mesmo com todas essas arapucas, mau humor e idiossincrasias, Veneza virou uma das minhas cidades preferidas. Morando em Bolonha, pegava o trem na Estação central e, menos de duas horas depois desembarcava em Veneza Santa Lucia. Fui turista de um dia, mochilinha nas costas e poucos euros no bolso, um monte de vezes. Nunca fiquei em um hotel por lá. Meu boteco preferido virou o Al Marca, atrás do fórum, perto do mercado de Rialto - uma feira ao ar livre onde você disputa produtos com gaivotas enormes e famintas. Quem me levou para lá foi o Celso, que já conhecia o bar de outras viagens, para tomar um spritz delicioso, com prosecco veneto e uma enorme azeitona dentro. O preço, menos de 5 euros.

Foto do Celso, do nosso boteco favorito em Veneza

E depois era andar, andar, andar... sem carros para atrapalhar o passeio. Uma delícia. Até porque mesmo depois de alguns spritz é impossível se perder no centro.


Da última vez que estive na cidade foi com a minha irmã Moema, também para passar um dia. Decidimos ir cedo pois à noite teríamos que pegar um trem para Praga. Como o clima era de festa - não nos víamos há mais de um ano - fomos comemorar no mitico Harry´s Bar, famoso por ter alimentado e embebedado em suas dependências uma penca de gente importante, como Hemingway, Capote, Maughan.
Foi lá que inventaram o Bellini e o Carpaccio. Mas somos fiéis ao Dry Martini. Valeu cada centavo dos 20 euros pagos. Cada um. Com uma conta dessas, mais o serviço, dá para comprar uma boa garrafa de gim Tanqueray, outra de Noilly Prat e preparar quantos você quiser. (Minha receita está aqui.).
Ou seja, Veneza é cara, os venezianos não querem saber da gente, nos exploram sem dó e a gente continua voltando. Vai entender...
Postado por Alê

Um comentário:

Moema disse...

Ahhh! Só hoje vi este post!
Que delícia foi este dia.
Valeu o Dry Martini, Valeu o Spritz, e
Valeu a camiseta do Palermo que comprei pros meninos, com meio brasão estampado e uma etiqueta enorme nas costas: Copia non autorizzata! Esse dia ficou na história!
Beijos, Sis