quarta-feira, 24 de junho de 2009

O bolinho caipira da dona Vicentina

Quem passa na Avenida São João, região central de Jacareí (logo depois do supermercado Compre Bem) pode pensar que o tumulto em volta da Kombi branca na esquina é fruto de um acidente. Uma olhada mais atenta mostra que na verdade é uma fila. Há pessoas em pé na calçada e outras sentadas nos degraus de uma loja, de olho no carro branco. Todas as noites, de segunda a sábado e, principalmente, nos meses de junho e julho, essas pessoas se aglomeram diante do veículo adaptado pelo filho de dona Vicentina. Lá dentro tem fogão, coifa, pia, bancada de trabalho. E essa gente toda espera pacientemente que essa senhora frite os deliciosos bolinhos caipiras, feitos de farinha de milho e carne moída. O ponto é fixo há dois anos, mas dona Vicentina conta que há mais de trinta prepara a iguaria caipira. "Aprendi com os mais velhos", diz, referindo-se a conhecidos de há muito, muito tempo, lá mesmo de Jacareí, que por sua vez aprenderam com outros, mais antigos ainda.

O tal bolinho está em voga. Não só por ser o prato típico das festas juninas. É que a Fundação Cultural de Jacarehy quer apresentar ao Iphan (Instituto do Patrimonio Histórico e Artístico Nacional) um projeto para o tombamento da receita. Da mesma forma que a Camara Municipal de Paraibuna fez com o Afogado (aqui).
E merece. O bolinho é de uma simplicidade desconcertante, que não condiz com o resultado obtido com uma mordida gulosa (viram que eu gostei mesmoooo). Ele é feito com farinha de milho (não com fubá), misturada com agua fria, sal e cheiro-verde picado. Para o recheio, carne moída refogada. E só. "O difícil é dar o ponto certo na massa: com pouca água, não dá liga. Com muita água, o bolinho se desfaz na hora de fritar", explica dona Vicentina, enquanto mantém um olho esperto na frigideira onde os bolinhos são fritos em óleo de cereais.
Essa delícia é vendida a R$ 0,30 (sim, você leu certo: trinta centavos de reais) a unidade. Mas não não dá para comer menos de dez. Ou seja, um saquinho de bolinhos fritos na hora, com a crosta crocante que lembra um pouco a da polenta frita, mas mais sequinha e saborosa, custa o mesmo que uma coxinha preguiçosa de padaria.
Postado por Alê

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